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domingo, 25 de outubro de 2015

AMADEU FILHO > I Love you, Je T’Aime, Te Quero, Vero Amor, Te Amo Quixadá

CRÔNICA
O nosso amado Quixadá está muito mudado. Nem parece aquela cidade de anos atrás. Os jovens de hoje não sabem mais nem o que é uma carta de amor, um cartão de natal, o poético bilhetinho. Agora é tudo na base das mensagens instantâneas e o "watsApp" é a coqueluche da galera (É, hoje em dia, a moçada se auto intitula desse jeito).

As músicas que embalam a moçada de agora, nem de longe lembram aquelas canções que se ouviam nas praças através do "serviço de alto falantes do Mestre Adolfo. Que nada! Agora, o que tá rolando é o "funk". A moçada sabe na ponta da língua os nomes dos "Mcs" que estão bombando (pois é, falam assim). O comércio já não é o mesmo e a maioria das lojas tem nomes em língua inglesa, francesa e até em japonês. Tem uma rua do centro que, por algum momento, imaginamos nos encontrar na famosa Avenida Champs Elisées, em Paris ou na Quinta Avenida, em Nova Yorq.

Mas esta sensação é só devido aos nomes de algumas lojas. Confesso ter alguma dificuldade de comprar produtos com nomes franceses. Só aprendi um pouquinho com o Padre Hélio e nem lembro mais. Meu Quixadá querido (acho que isso é em todo canto deste país) está muito americanizado. Me lembrei do astro quixadaense, o Guaracy Freitas que cantava "Tudo é dos americanos!!!).  Do Inglês, só aprendi umas duas ou três frases, apesar da boa vontade do professor Pery.

Está longe do tempo em que íamos aos açougues de Chico Soares, Zé Laranjeiras, Zé Medonho ou comprar carne ao Adauto no velho mercado. Hoje em dia, vamos aos frigoríficos que vendem com rígidos padrões de qualidade.  Falar que íamos comprar na bodega do Quinzin, da dona Lulu, na mercearia do Zeca Metero ou na bodega do Amadeu é coisa do passado. O moderno quixadaense satisfaz suas necessidades em supermercados, alguns até com cinema.

A terra dos monólitos realmente está muito mudada. Quem imaginava nossa cidade recheada de prédios erguidos obedecendo a projetos arquitetônicos surpreendentes? Já passou pela cabeça de alguém que iria chegar o tempo de se gastar 20 minutos ou até muito mais para se atravessar uma de nossas ruas? Charretes, o velho corcel, não se vê mais por aqui. Não é nenhuma surpresa encontramos desfilando pelas nossas avenidas, um "Porsche 918” ou um "Ferrari -Califórnia F1". Pois é, apareceu um bocado de gente cheia da grana ou do money?).  

Não se fala mais em merendar na lanchonete do Senhor Geraldo. Que nada! Muita gente agora só vai aos restaurantes para saborear um "sushi" ou uma "Salada de algas". Conheço um amigo que está até pensando em aprender japonês. É, meu Quixadá está realmente muito mudado. Mas como mudou, meu Deus! Já é uma região universitária e recebe jovens de todo o estado e até fora dele, no contínuo preparo para o mercado de trabalho. Os estudantes não precisam mais ter que ir estudar na capital. Os que habitam a zona rural, nem precisam mais ficar em casa de parentes ou amigos na cidade. Hoje, ônibus os levam e trazem até seus destinos.  

Até os nossos comunicadores do rádio atual, se expressam em língua inglesa. Ao chegar o momento das pausas nos programas falam "Vamos chamar um break" e não mais" vamos chamar o intervalo'". Isso ainda é do tempo da velha Uirapuru. É claro que todos nós queremos assistir o progresso de nossa linda terra. Mas, sempre buscando entender que esta nova realidade apresenta benefícios e, sem dúvidas, malefícios. Mas, esta parte ai é com os estudiosos do assunto. 

Agora, o que queremos mesmo é fazer uma declaração de amor à cidade que nascemos e amamos" I love You, Je Taime, Ti Quiero, Vero amore Quixadá! Ah, ia me esquecendo de declarar todo o meu amor em português também: "Eu te amo Quixadá querido!". Sempre!




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domingo, 11 de outubro de 2015

AMADEU FILHO > Tipos Populares: A Majestade dos Churros na Terra dos Monólitos

CRÔNICA > Os quixadaenses que cruzam as principais ruas da bela cidade se defrontam, todos os dias, com um alegre e simpático trabalhador das ruas.

Quem não conhece o popularíssimo Candinho dos churros com seu ar de moço bom, cheiro de gente boa, jeito de bondade e, mesmo sabendo das dificuldades, está sempre confiante e feliz? É mais comum vê-lo na praça José de Barros, exatamente onde trafega um maior número de pessoas. Mas, o carismático vendedor está presente nas atividades da igreja, parques de diversões, festinhas de aniversário, próximo ao estádio de futebol da cidade.

Vale ressaltar que Candinho é muito querido pelas crianças tratando-as com muita carinho e claro, pelas pessoas adultas. E os churros tem mesmo a cara e cheirinho de infância.  Mesmo sem revelar a quantidade de churros que é vendida, garante que o apurado lhe garante as suas necessidades diárias.

Antes de se tornar a majestade dos churros na terra dos monólitos, trabalhou por 17 anos em um bar. Quando abandonou esta atividade, o irmão Cleber Ribeiro (hoje, cineasta consagrado) o presenteou com um carro de churros e assim, desde o ano de 2002,  trabalha por conta própria vendendo este tipo de doce, à base de farinha, trigo, água e açúcar. Tem o apoio dos pais Luis Viriato (seu Lolô) e da simpática Eronice. Os outros irmãos, Clóvis(Cóia), Carlos(Calila), Cristina e Cláudia sempre exaltam a leveza, a bondade de Luis Cândido Viriato Ribeiro, seu verdadeiro nome.

Gosta de lembrar dos tempos de escoteiro, quando garoto, pois aprendeu lições de fraternidade, lealdade, disciplina, dentre outros benefícios. Tem saudades dos colegas do escotismo e dos instrutores sargentos Moreira e Paulo. É profundo admirador de musculação e é grato ao professor Evandir que lhe repassou muitos conhecimentos sobre o tema. Já foi astro de teatro e trabalhou no filme "O Casamento" produzido pelo irmão famoso nos anos 80, desempenhando o papel de Romualdo, tio da noiva.


Ao pesquisarmos este tipo popular quixadaense, deduzimos que o comércio ambulante gera oportunidades de emprego, possibilita a sociabilidade nos espaços públicos e se reflete até numa situação cultural pois, no desenvolvimento dessas atividades, a cidade ganha destaque especial. Candinho afirma que o melhor do seu trabalho é a liberdade, o encantamento de não ter patrão.  "Se eu não quiser trabalhar hoje, não vou mesmo!" afirma com autoridade e solta uma poética gargalhada.

Também faz questão de afirmar que trabalhar na rua é uma terapia muito legal, pois rever amigos e surgem novas amizades. Lamenta apenas o fato da violência ter chegado as ruas da terra dos monólitos. Perguntado o motivo de não ter priorizado à escola responde com ar de professor: "A melhor Faculdade é a rua, a gente aprende de tudo!". Na cidade corre um boato de que os churros preparados pelo popular vendedor dá muita sorte no amor. Em especial nas festas juninas ou no período do natal, os churros são uma boa pedida para dar de presente a pessoa querida.


O vendedor não confirma, mas existem jovens enamorados na cidade que garantem ter o amor aumentado de intensidade ao saborearem os que foram preparados no seu carrinho. Verdade ou não, o certo é que Candinho dos churros é uma pessoa feliz, que ama o trabalho, a família e os amigos. E, com certeza, é um dos tipos populares mais conhecido e querido na terra dos monólitos. E ninguém contesta: Ele é mesmo o rei dos churros na terra dos monólitos!

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domingo, 4 de outubro de 2015

AMADEU FILHO > Tipos Populares: Tião da Baladeira, alegria da Cidade

CRÔNICA
Numa manhã tranquila da bucólica Quixadá do começo dos anos 50, um menino levado da breca (endiabrado, travesso), levou uma surra danada, caprichada pelo cinturão do pai Alberto (magarefe do velho mercado público). Não fosse o doce coração da mãe Dona Lídia, a peia bateria muitos recordes. Motivo: O menino Tião (Sebastião Vidal Soares) não queria saber de estudo, só de brincar com uma companheira que lhe acompanha até hoje, a doce amada baladeira (pequena forquilha de madeira com elástico para atirar pedras). Pedaços de giz eram atirados em todos os cantos da Escola. A senhora Maria de Lurdes, diretora do Grupo José Jucá, naquele momento, teve que puxar as orelhas do "capeto em forma de gury". Para que? Tião deu um tiro certeiro nas pernas da educadora! "ele é um Durango Kid!", diziam todos no grupo. O certo é que nunca mais voltaria a sentar num banco escolar. Só queria saber da sua atiradeira, nada mais!

Contam os familiares que Tião ganhou sua primeira baladeira aos dois anos de idade e não largou mais, conduzindo-a sempre pendurada no pescoço. Nas caçadas, se tornou campeão, não encontrando rival à altura no manejo do estilingue. Já rapaz, virou uma atração na cidade. Ganhou bom dinheiro em apostas, não perdendo nenhuma. Contam seus admiradores que uma pessoa segurava um cigarro em uma das mãos e nosso herói acertava bem no alvo, sem jamais ter ferido alguém. Na rodoviária, quase todas as noites, muita gente comparecia não para assistir um televisor ali instalado mas para presenciar nosso herói, derrubando, um a um, os copos colocados sobre o aparelho. Mas a consagração definitiva viria por ocasião de um jogo entre o Quixadá Futebol Clube X Ferroviário, meados dos anos 80. O árbitro roubava descaradamente para o time da capital. Na anulação de um gol, Tião não se conteve e desferiu um tiro(ou pedrada) certeira no juiz lalau. Espanto geral! Como poderia, com aquela distância da arquibancada para o centro do gramado acertar o alvo! Jogo parado por bom tempo! Tião jurava por todos os santos que não foi ele e sim um torcedor ao seu lado! "Ele dizia que fui eu, eu garantia que foi ele"! O certo é que a partir deste fato, os árbitros só iniciavam as partidas depois que nosso herói entregasse a baladeira.    
                 
Garante Tião que usa a atiradeira não como uma arma mas como uma velha amiga. Casado com Dona Fátima, é pai amoroso de Paulo Henrique, Veridiano, Sofia e Narcisa. Já foi motivo de matérias jornalísticas elaboradas pelo jornalista Jonas Sousa com repercussão nacional. É tão grande a sua paixão pela sua companheira que pode-se ler na parede de sua casa: "Seja bem-vindo mas não me peça emprestada a minha baladeira"   Então, tá certo velho amigo!


Nossa homenagem a esse que sempre será lembrado nas histórias contadas pelas esquinas e recantos do Quixadá que soube amar a irreverencia e simplicidade de nosso eterno “Tião da Baladeira”. Tive o prazer de acompanhar uma de suas entrevistas a televisão, lembro que a reportagem da TV Nordeste me ligaram e pedindo um personagem marcante na cidade, o primeiro nome que lembrei foi Tião e assim fomos recebidos em sua residência onde ele nos contou sua história de baladeira. Esta é a nossa singela homenagem. Do Editor Cleumio Pinto, o Cronista Amadeu Filho e todos que fazem o Sertão Alerta. 

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sábado, 28 de março de 2015

Nas ondas do Rádio > Genivaldo Ferreira o plantonista esportivo de Quixadá

Quixadá
O sonho de Genivaldo Ferreira, que acalentava desde criança, sempre foi o de trabalhar no rádio. Garoto ainda, ligava o rádio "Semp" da casa, e ficava ouvindo Sousa Filho, Mauro César Uchoa, Fortunado Pinho e outros "rádio- escutas" que brilhavam no Ceará, divulgando o que acontecia nos estádios de futebol de todo o Brasil e do mundo. Até que um dia, frequentando as aulas do Colégio Estadual, conheceu o narrador esportivo, à época, Alex Torres, que percebendo o interesse do jovem, o levou para integrar a equipe de esportes da Rádio Cultura, comandada, naquele momento, pelo Alberto Pinheiro.

Recebeu ainda o apoio do Nilton Ferreira(Pio), Wal Tavares, Márcio Aurélio. Era o ano de 1992.  Genivaldo Ferreira é bastante grato ao Walber Cavalcante e José Carlos Alves que o convidaram a integrar a equipe esportiva da Rádio Monólitos", final dos anos 80, antes de se firmar no elenco da Cultura. Faz questão de ressaltar o apoio que sempre recebeu de Audílo Moura na sua trajetória radiofônica.  

Começou carregando equipamentos para os repórteres de campo, aceitando tudo aquilo, como um grande aprendizado. Certa vez, trabalhando ao lado de Márcio Aurélio, puxando os pesados fios, ambos invadiram o campo, pensando o jogo ter acabado e receberam aquela reprimenda do juiz que falou para os dois: "Saiam do campo, seus moleques!" Genivaldo assegura que tudo isso funcionou como um grande aprendizado. Mas ali, não era o lugar do jovem sonhador.

Foi Alberto Pinheiro que o colocou no seu verdadeiro lugar no rádio, que é o de plantonista esportivo, ou seja, aquele que informa, durante as transmissões, o que acontece em outras praças esportivas. Alberto Pinheiro recomendou para o esforçado jovem" Fique ouvindo o Sousa Filho nas transmissões da Rádio Assunção e assim você aprende, menino!"

Com o advento da Internet, alguma emissoras optaram por retirar do ar estes profissionais, certamente trazendo enormes prejuízos para os ouvintes, pois desta forma, só se tinha acesso aos jogos de grande relevância. Com certeza, uma equipe esportiva sem a figura do plantonista, fica desfigurada. Dos profissionais que atuam no rádio quixadaense, Genivaldo Ferreira é um dos que mais se destacam. Com certeza!

domingo, 31 de agosto de 2014

O time dos sonhos, BBC de Salão do Manuel Bananeira e Cia.


Quixadá
O Colunista do Sertão Alerta, Amadeu Filho, traz do “Tunel do Tempo” do esporte quixadaense a lembrança da melhor fase do futebol de salão com o time do Balneário Cedro Club de Quixadá. A alegria dos desportistas na quadra do clube ao ver o futebol arte desenvolvido nas quatro linhas pelos jovens atletas orquestrados pelo o saudoso Manuel Bananeira. 

Mais uma imagem da brilhante equipe do Balneário Cedro Club que tantas glórias deu ao nosso salonismo. Conquistou vários títulos, conquistou uma torcida vibrante e fiel, que acompanhava o time nas suas apresentações, não só na terra dos monólitos, mas em outras cidades do interior e até na capital.

O grande comandante da equipe foi o saudoso técnico Manoel Bananeira, que dedicou grande parte de sua vida, a promoção de jovens valores que se destacaram, chegando inclusive a jogar em grandes equipes do estado. Nos tempos do Balneário, o futebol da bola pesada em Quixadá, se tornou uma referencia a nível estadual. Um detalhe, na verdade pouco conhecido, é que Manuel Bananeira tinha a preocupação em difundir conhecimentos para seus atletas e, durante várias vezes no mês, exibia filmes com conhecimentos técnicos, relacionados ao futsal.

Nesta imagem dos anos 80, pela ordem: Sebastião(diretor), Célio Oliveira(diretor), Manuel(treinador), Marco Aurélio, Djalma, Mangueira, Emirton, Wal Tavares, Rômulo Cesar(mascote) Zé Antonio(comissão técnica), Tim, Rômulo César(mascote), Zé Antônio(comissão técnica), Mosquito, Tim, Blasco, Helano e Pil(da comissão técnica).

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O colunista Amadeu Filho, Conta quem é o Rei do Sertão, São CristovãoQuixadá

SAO CRISTOVAO1Quixadá
O sertão tem sala de reboco prá se dançar um forró de Luiz Gonzaga, tem novena, vaquejada, cantoria, reisado e também futebol. Aquela gente querida, honesta, trabalhadora, que sabe como ninguém, enfrentar as adversidades, encontra tempo para se divertir, ficar alegre. E, como acontece em outros espaços por este Brasil afora, o futebol é a grande paixão. Não é só Cego Aderaldo, Patativa do Assaré, Gonzagão, Jackson do Pandeiro que são amados e admirados no sertão. Também Garrincha, Pelé, Rivelino, Neymar e outros craques, possuem uma grande legião de fãs e seguidores. Dividindo espaços com o curral, roçado, açudes, a capelinha, temos os campos, onde acontecem as partidas disputadas por jovens sonhadores, que almejam jogar num clube profissional.
SAO CRISTOVAODiversos times foram formados e, alguns chegaram a conquistar títulos, mesmo participando de torneios nas cidades. Craques foram revelados e chegaram a jogar profissionalmente. Cada equipe sertaneja tem sua própria torcida, que acompanha, vibra com as vitórias e chora nas derrotas.  Merece um destaque especial, a equipe do São Cristovão, que ganhou a denominação de " O Rei do Sertão", chegando a conquistar a admiração e o respeito, inclusive de torcedores que moram na zona urbana. O São Cristovão, até meados dos anos 90, era a grande atração, muitas vezes, sendo confundida, com uma equipe profissional, tamanha a seriedade, a organização que foi montada pelo seu fundador, presidente, técnico e até jogador, Gennaro, que sempre recebeu o apoio da família, torcida e amigos. Chico Pelado se destacou como treinador, recebendo convites para dirigir equipes da cidade. Muitos craques vestiram a linda camisa azul do "Rei do sertão" como Pedro Ismael, Careca(jogou também co Cruzeiro do Alto), Waltenberg, Gilberto(irmão do Deda), Nemem (filho do Dezinho carroceiro), Cícero Peroba, Chico Calhambrey (irmão do radialista Jonas Sousa),Zé Raimundo, Branquinho, Vaqueiro, Aélio (filho do presidente Gennaro), Gilberto Dinamite, Antônio peroba e Antônio Carlos.  
SAO CRISTOVAO2Um craque, se destacou, de modo todo especial, pois se tornou o maior artilheiro da equipe, uma espécie de "xodó' da torcida. Chamado carinhosamente de Gilberto Dinamite, se tornou o grande atrativo dos domingos no campo do São Cristovão e, tirar fotos ao lado dele, se tornou uma cena bastante comum. No sertão, o futebol é tão idolatrado que, muitas vezes, as disputas entram pela noite, e a luz do luar que cai sobre o campo, transforma aquele jogo em pura poesia e até folclore. Certa vez, o eficiente e querido goleiro Chico Calhambrey, tomou um gol fácil e foi questionado pelos colegas do time. O craque, com bastante tranquilidade, se justificou desta forma: "A LUA ESTAVA TÃO LINDA! NÃO CONSEGUI TIRAR OS OLHOS DELA!".
amadeu filho

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Amadeu Filho conta a façanha de um cego treinar um time por dez anos em Quixadá


Quixadá
"Vamos chutar no gol!"; "Cola em cima do ponta deles!"; " Quero o time pra frente!"; "Vamos correr, olha a moleza!";  " Vamos! vamos! Vamos! Tá na hora de empatar!";  "Hei, seu juiz, foi pênalti!";  "Quem não quiser jogar, peça pra sair".  Estas expressões fazem parte do vocabulário do técnico de futebol, a beira do gramado. É absolutamente normal! Mas o que dizer quando essas recomendações todas partem de um treinador completamente cego? O que que é isso? Que papo é esse? Acredite se quiser mas em Quixadá, durante um bom tempo, um deficiente visual fez muito sucesso como treinador. É VERDADE! Temos notícias  de cegos extraordinários que consertavam motores de carros,  relógios, outros que foram bambas na cantoria popular mas um técnico cego é algo realmente muito interessante. Fomos atrás desta figura única que nos repassou muitas informações que, com certeza, serão do agrado dos seguidores do Sertão Alerta.
Este simpático Senhor veio ao mundo no dia 14 de Fevereiro de 1930. Nasceu aqui em Quixadá na "Mãe domingo", como ele chama carinhosamente. Seu nome, Expedito Nogueira de Queiroz. Seus pais, Francisco Nogueira de Queiroz e Anísia Nogueira de Queiroz. Foi batizado na velha matriz pelo Pe. João Lucas Heuser, sendo os padrinhos Hermínio Pinheiro e D.Mariquinha, um dos casais pioneiros no comércio lojista de Quixadá.  Aos 8 anos, foi acometido de grave doença e desenganado pelos médicos. Mas apareceu alguém que indicou para a sua cura, ervas sertanejas como pega-pinto, vassourinha e casquinha de Jatobá. "Fiquei curado e passei a admirar as plantas medicinais".
A admiração foi tanta que, ainda hoje, mantém uma farmácia(como ele chama) que vende esses medicamentos caseiros. A família recebeu como herança, a fazenda "Serrote Branco", que se tornou uma das paixões de sua vida. Aos 27 anos, o mundo se escureceu para ele, ficou completamente cego. Sempre contando com o carinho dos pais, foi superando com dignidade esse momento. Seu Francisco Nogueira, querendo levar alegria ao filho, montou um comércio pra ele, um salão de dança e, a poucos metros do comércio, um campo de futebol. Chegou a hora de montar o time de Serrote Branco que logo ganhou o nome de "Cearasinho". Os craques do lugar se apresentaram querendo vestir aquela camisa. Um problema: Quem seria o técnico? Só havia um morador no Serrote Branco que tinha um profundo conhecimento sobre futebol, pois, ainda com a visão , leu tudo sobre o técnico da seleção brasileira Vicente Feola. E aprendeu tudo sobre como montar uma equipe de futebol. Seu nome: Expedito Nogueira de Queiroz. Cego? Sim, cego! mas manjava só tudo  sobre a bola. E assim se tornou o vitorioso treinador do "Cearasinho" que se tornou uma espécie de "Mais Querido do Sertão", comecinho dos anos 60. Como acontecia o treinamento da equipe? Ora, Expedito ficava no centro do gramado (ou melhor, várzea), e o seu auxiliar narrava quando acontecia jogadas no ataque ou na defesa. Se fosse no ataque,  o Feola do sertão gritava "CHUTA NO GOL!" Se fossem jogadas na defesa, o alerta em voz alta: "MARQUEM! NÃO DEIXEM CHUTAR"! O time tinha um protetor, Padre Cícero, numa decisão do treinador.
A fama do treinador cego logo se espalhou por toda a cidade e até fora dela. O time de Serrote Branco virou uma grande atração, não tanto pelo futebol que jogava mas sim, porque todos queriam ver de perto Expedito comandar a equipe. A Senhora Maria de Lurdes, testemunha ocular do fato nos confirmou que foi tudo a mais pura verdade. "Achava legal quando ele gritava pedindo garra ao time" e nunca me esqueci quando ele  discutia com o juiz, reclamando das marcações que ele achava errado". Os melhores do time, segundo o próprio Expedito. eram  o goleiro Raimundo Grosso(para ele, igual a Gilmar); O ponta José Ribeiro, o meia José Maria, que ele comparava ao mestre Didi(o da folha seca).
Quando perguntam a ele como um homem cego pôde treinar um time de futebol, tem sempre a resposta na ponta da língua:" Um cego não foi o maior cantador do sertão? (referindo-se a Aderaldo Ferreira de Araújo); José esmeraldino de Vasconcelos não tocava mil instrumentos? Meu amigo Adolfo Lopes não dominava como ninguém a mecânica? Então, eu fui o cego que treinou por quase 10 anos um time de futebol! Expedito Nogueira de Queiroz ganhou fama, seu feito é sempre lembrado. Jornais de Fortaleza deram destaque especial. Ele mereceu até uma crônica que foi escrita por João Eudes Costa e apresentada em várias emissoras do estado. esperamos que a divulgação que estamos realizando chegue ao conhecimento de todos aqueles que ainda não sabiam deste fato. E o nosso treinador cego, assim se despediu de nossa equipe: " TRAGAM AQUI O FELIPÃO! TENHO MUITAS DICAS PRÁ ELE!"  Apôs tá certo, Seu Expedito!

domingo, 29 de junho de 2014

O colunista Amadeu Filho no Túnel do Tempo, traz o ídolo Cicero Ramalho


Quixadá > "Golaço  de Cícero Ramalho!" "Bola na rede, Cícero ramalho, o matador" "Cícero deixa Pedro Basílio na saudade e fuzilou para o gol" "Ninguém segura o artilheiro! Durante um bom tempo e por incontáveis vezes, era assim que o vibrante narrador esportivo Audílio Moura(foto) narrava mais um gol do maior artilheiro da história do "Canarinho do Sertão", Cícero Ramalho, o eterno ídolo da  torcida do Quixadá Futebol Clube.  O objetivo deste artilheiro, nas equipes por onde passou era o "gol" e nisto, virou especialista. Com ele, não tinha bola perdida, se arriscava nos meios dos zagueiros que não conseguiam marcá-lo.  Este ídolo se tornou uma unanimidade para os torcedores do Quixadá e sempre uma grande dor de cabeça para os adversários. Cícero Ramalho levava muitos  torcedores para o nosso velho estádio. Virou "xodó" da torcida, referencia para crianças e jovens. Como ficou o nosso futebol sem a presença do artilheiro no "Abilhão"? Assim, como Gildo é o eterno ídolo da torcida do Ceará; Croinha, o deus da alegre torcida do Fortaleza; Amilton Melo, o príncipe do Ferroviário, Cícero Ramalho é o  craque, ainda hoje, mais lembrado pela torcida canarinha.
Este goleador, nascido em Mossoró, RN, passou por muitas equipes nordestinas. Segundo contou ao "Blog", começou sua carreira no Potiguar de Mossoró, aos 17 anos de idade, anos 80; No futebol cearense, esteve por 3 meses no Ferroviário. Veio para o "Canarinho do Sertão" pelas mãos do técnico Oliveira Ceará, 87, com  20 e poucos anos, se tornando o vice-artilheiro do "Estadual", daquele ano. Fazendo um grande campeonato, foi parar no Ceará, mas não ficou por muito tempo. Retornou e disputou o campeonato de 88, sendo o principal artilheiro da competição. A sua fama de artilheiro logo se espalhou, tendo se tornado uma das principais atrações dos programas esportivos da "TV" e do rádio. Ainda voltaria ao Ferroviário, de lá saindo para a Espanha onde ficou por 5 anos, onde vestiu a camisa de três clubes, o "Real Murce", "Levante" e "Valência". Parecia coisa do destino e voltou para o Ferroviário, 94, tendo sido campeão naquele ano. Saindo do futebol cearense,  jogou em outras clubes do Nordeste. Voltou ao Potiguar, onde sempre foi ídolo, jogou no América de Natal, 96, ano que o clube subiu para a primeira divisão, tendo sido um dos artilheiros da "Série B". No quadrangular, foi decisivo, marcando 5 gols que permitiram a subida do time americano. Ainda vestiria a camisa do Corinthians(o de Caicó), RN);  voltaria ao "Canarinho", 98, vestiu a camisa do Itapipoca, sendo o responsável direto pelo acesso do time. Conquistou ainda a torcida da equipe do Baraúnas, marcando gols decisivos.  Parou de jogar em 2002, iniciando a carreira de treinador, não obtendo o mesmo sucesso da carreira de atleta.   Mas a torcida do Baraúna exigiu a sua volta como jogador, 2005, disputando a "Copa do Brasil", onde voltou a brilhar, tendo o Baraúna eliminado o Vitória, Vasco da Gama, América(MG). Ficou então, nacionalmente conhecido, recebendo do jornalista Jonas Sousa, a denominação de "O Romário do Nordeste", e sendo motivo de muitas reportagens da imprensa esportiva. 

Cícero Ramalho, tem muitas  lembranças do tempo de jogador aqui em Quixadá, conquistando não só a torcida mas muitas pessoas, pela simplicidade e por gostar muito da terra dos monólitos. Diz não esquecer um gol que marcou contra o Ceará, tendo se livrado de praticamente, toda a zaga alvinegra. Foi o gol mais bonito  da rodada. Tem uma saudade imensa  de nossa cidade e principalmente, da torcida. Lembra-se de uma faixa, conduzida pela "Fiel Canarinha" que homenageava o artilheiro "Hey, Hey, Cícero Ramalho é nosso rei". Não há dúvida, foi o grande ídolo da torcida canarinha. Agora, que nosso querido time voltou a primeira divisão, que tal uma homenagem ao nosso eterno artilheiro? Com certeza, ele ficaria muito emocionado e nós também, seus fãs.
 
 
 
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